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O Coletivo Contemporâneos celebra neste ano seus 7 anos de trajetória com a exposição ECOS, inspirada na filosofia do ecocentrismo. Desde 2018 o grupo não realizava uma mostra em Niterói e, em dezembro, retorna à cidade com uma ocupação no Espaço Cultural Correios.
Fiel à sua vocação inclusiva, o Coletivo abriu convocatória que recebeu inscrições de 34 artistas. Desses, 15 foram selecionados para participar da mostra virtual e, entre eles, três serão escolhidos para integrar a exposição presencial em dezembro, cujo resultado será divulgado ao final da mostra. Cada artista apresenta sua leitura particular da Natureza em fluxo, revelando poéticas que se entrelaçam em múltiplas formas de olhar e sentir.
Para nós, a arte é também espaço de questionamento e de construção de outras maneiras de perceber o tempo presente. Assim, esta exposição convida o público a se aproximar de obras que exploram diferentes técnicas — da fotografia à monotipia, da pintura à colagem e à escultura —, propondo reflexões sobre a urgência do tema ambiental e sobre a necessidade de reconhecer a natureza como um bem essencial e inalienável.
E para tornar essa experiência ainda mais viva, ao final da sua visita você encontrará um formulário. Nele, poderá compartilhar conosco qual artista mais tocou sua sensibilidade. Sua voz será parte fundamental deste processo, ajudando a escolher os três nomes que integrarão a Exposição ECOS em Niterói. Assim, o público também se torna parte ativa da curadoria e da celebração da arte.
Lu Valença
artista visual, pesquisadora e curadora

Minhas pinturas mergulham nas profundezas da relação entre a humanidade e o oceano, explorando a ecologia e a preservação marinha de um modo que transcende o visível.
Na obra da sereia, ela emerge de um espelho mágico que funciona como um portal para outra dimensão — um convite à reflexão e à consciência. Com a mão espalmada em direção ao espectador, irradia uma potente luz do centro da palma. Essa luz vai além da estética: simboliza esperança, verdade e o poder da transformação que habita em cada um de nós. É um chamado para dissipar as sombras da ignorância e da negligência que ameaçam nossos oceanos.
A moldura barroca do espelho, ornada por motivos marinhos, contrasta dramaticamente com os elementos que a enredam: anzóis, redes de pesca e detritos. Essa justaposição impactante não apenas denuncia a poluição por plásticos e resíduos, mas também evidencia o perigo silencioso e letal dos restos de redes e anzóis — armadilhas que ceifam a vida de incontáveis animais marinhos a cada ano. A obra é, assim, um espelho de nossa responsabilidade: um portal para um futuro onde a beleza dos oceanos prevaleça, lembrando que a ação individual, iluminada pela consciência, é a chave para a preservação da vida marinha e da saúde do planeta.
Já a imagem de uma baleia voando no céu de São Paulo traz um lembrete vívido: os oceanos não estão distantes das cidades. Este gesto surreal, ao mesmo tempo poético e contundente, reforça nossa interconexão inegável com a natureza. A baleia, símbolo da vida marinha e de sua fragilidade, atravessando o horizonte urbano, ecoa a urgência dos problemas ambientais que nos alcançam a todos, onde quer que estejamos. O que acontece nos oceanos repercute na cidade, no ar que respiramos, no clima que nos envolve. A obra é, portanto, um chamado à consciência de que a preservação da natureza é responsabilidade coletiva, essencial para o nosso futuro e para o futuro do planeta.
Carol Saidenberg




